Evair Aparecido Paulino.
Ou simplesmente: Evair, O matador.
De certo que só de pronunciar o nome Evair, a torcida palmeirense se enche de saudosismo e nostalgia de um tempo que não volta mais e deixa muitas saudades.

No ano de 1965 aconteciam várias coisas no mundo e no Brasil, Demônios da Garoa no auge com Trem das Onze, Elis Regina junto com Jair Rodrigues, apresentam o programa O Fino da Bossa e os EUA vão ao Vietnã, matar vietcongues. E em Crisólia, no dia 21 de fevereiro nasce o futuro matador do Palmeiras, Evair.

De família humilde, Evair na tenra idade era simpatizante de um rival do Palmeiras: Santos. E só não atuava com a camisa de Pelé nas peladas porque seus pais não possuíam recursos financeiros para comprar uma.

Começou a jogar pelos campinhos na região de Crisólia, bairro de Ouro Fino em Minas Gerais.

Início difícil como jogador
Em 1979, foi fazer um teste nas escolas do São Paulo e não foi aprovado, tendo que voltar a Crisólia.

Mas no ano de 1980 teve nova chance, só que agora no Guarani, seu pai tinha um conhecido que poderia lhe ajudar a entrar para o time. Conseguiu e se mudou para Campinas e morava no alojamento do clube, onde fez muita amizade com João Paulo, que virou um grande companheiro.

Evair, nas categorias de base atuava como meio de campo mas Lori Sandri promovendo Evair ao time principal, o mudou de posição para atacante. Estreou no time titular contra a Inter de Limeira, pela Copa Rayovac.

Decolando no profissional
Após dois anos atuando como centroavante, viu sua carreira decolar! No Brasileirão de 1986, disputou a artilharia com o atacante Careca e perdeu por um só gol.

Em 1987 foi convocado para a seleção que disputou os jogos Pan-Americanos e conquistou a medalha de ouro.

No ano de 1989 se tornou artilheiro do Paulistão e se transferiu para a Itália, para atuar no Atalanta. Jogou por 3 anos na velha bota e regressou ao Brasil, para o Palmeiras em troca com o atacante Careca Bianchesi. Disseram na época que foi um péssimo negócio. O tempo provou o contrário.

Palmeiras
No Palmeiras teve um início ruim, foi afastado pelo então técnico, Nelsinho Baptista, por "deficiência técnica". Amargou 5 meses de treinamento em separado do elenco. "Tinha acabado de voltar da Itália e sofri muito. Recebia os salários, mas não podia trabalhar. Foi, sem dúvida, uma situação deprimente", conta Evair.

Mas tudo mudou quando Otacílio Gonçalves, o Chapinha, veio treinar o Palmeiras e o Evair voltou ao time principal.

E com isso, quem ganhou foi o Palmeiras, saiu da fila e o Evair virou "O Matador" que a torcida tanto queria! Depois ganhou ainda o Bi brasileiro e o Bi do Paulista em 1994!

Japão e volta ao Brasil
Em 1994 vai jogar no Japão, no Yokohama Flugels por dois anos. Depois regressou ao Brasil para atuar no Atlético Mineiro e no Vasco. Em 1998 assina com a Portuguesa.

Retorno ao Palmeiras e maior glória
E em 1999 volta ao Palmeiras para jogar a Libertadores da América onde foi decisivo, não só em campo mas como agregador e com isso demonstrou ser fundamental, passando experiência aos mais novos e ajudando a caminhada pelo título. E não parou por aí, marcou um gol na final e escreveu de vez seu nome na história do Palmeiras, ao sagrar-se campeão da maior glória da história do alviverde de Palestra Itália.

Fim da carreira
No fim da carreira atuou por clubes como São Paulo, Coritiba, Goiás e Figueirense, onde encerrou a carreira em 2003, após perceber que não renderia como gostaria. Sua humildade o ajudou nesta decisão. Sempre desfilando seu belo futebol.

Editorial - Depoimento de um jovem torcedor
Eu tinha cerca de 9 anos quando comecei a acompanhar o Palmeiras e um jogador em especial me chamou a atenção. Um centroavante que todos chamavam de matador mesmo eu não sabendo ao certo o significado disso. E não demorou muito para eu aprender. Um futebol sério, efetivo e muito objetivo, que lembra muito os antigos centroavantes, aqueles que não só sabem marcar gol mas sabem armar uma jogada, tem visão de jogo, tem companheirismo e classe. Classe, essa é a palavra que pode definir Evair, classe!

Um jogador com classe, elegância e mortal dentro da área. Assim foi Evair por toda sua carreira e por causa disso se tornou ídolo da mais exigente torcida de futebol do Brasil: A torcida palmeirense.

Só nos resta recordar o que ele já fez e sentir aquela saudade doída mas gostosa de se sentir.

Evair foi mais do que um simples jogador, foi o último paladino do futebol romântico que hoje já não existe mais.







Perfil


Evair Aparecido Paulino
Nascimento: 21.02.1965, Crisólia
(Município de Ouro Fino) - MG
Jogo inesquecível:
Final do Campeonato Paulista em 1993, quando o Palmeiras sagrou-se campeão.
Títulos pelo Palmeiras:
Campeonato Paulista:
1993 e 1994
Campeonato Brasileiro:
1993 e 1994
Torneio Rio-São Paulo:
1993
Copa Libertadores:
1999

Artilharia pelo Palmeiras
Campeonato Paulista de 1994:
23 gols

Site Oficial:
www.evair.com.br